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Turista Aprendiz: Ampliando olhares e experiências no Rio

11/09/2015

Se tem uma coisa que acabamos perdendo com o tempo é o hábito de enxergar a vida e o seu entorno de forma mais profunda e contemplativa. A rotina acaba engessando o olhar para os detalhes que deveríamos perceber melhor. Quem é que não gostaria de parar para apreender tudo à sua volta com os sentidos aguçados, não é mesmo? O pessoal do Turista Aprendiz vem fazendo isso desde o ano passado, por meio de uma iniciativa que integra o programa Favela Criativa.

 

Inspirado na obra de Mário de Andrade “O Turista Aprendiz: viagens etnográficas”, o projeto convida os jovens a desbravar territórios e universos culturais de escritores de sua cidade, estado e país, incentivando um olhar antropológico, a prática da escrita e a valorização da diversidade cultural brasileira.

 

Hoje, você confere a entrevista com quatro alunas do projeto, Valeska Angelo Torres, Luana Batista, Estefani Lopes e Thainar Xavier, que contam como a iniciativa mexeu com a vida delas.

 

Alunas do Turista Apendiz - Valeska, Luana, Estefani e Thainar Xavier na Bienal do Livro

 

Valeska, Luana, Estefani e Thainar Xavier na Bienal do Livro

 

Geração Light: o que vocês aprenderam com o projeto? Qual foi a experiência mais marcante?

 

Thainar: Acho que uma das coisas mais legais foi durante o primeiro módulo, na Biblioteca Parque Estadual, quando convivemos com pessoas de diferentes lugares, descobrindo o universo da leitura e da escrita pela primeira vez, o convívio com elas. Além disso, as discussões em sala de aula, as leituras, as viagens... Tudo foi muito impactante porque a gente passou a ter uma visão do Rio que a gente não tinha antes. A gente passou a realmente se sentir parte da cidade.

 

Valeska: Isso mesmo, não só nas aulas, mas como nas viagens também. Eu, por exemplo, viajei para Penedo, Parati e Petrópolis, no Rio, e para o estado do Amazonas. O fato de a hospedagem ser solidária no projeto, de estar num lugar em que você pode conviver, vivendo uma experiência além do turismo. A gente conheceu os problemas sociais deles, enfrentados no dia a dia.

 

Luana: Nós também ficamos em Pontos de Cultura, então aprendemos muito porque víamos as pessoas trabalhando, fazendo instrumentos, para sobreviver. Gostei muito: acho que é uma experiência que vou levar para a vida inteira.

 

GL: As viagens mudaram a maneira de enxergar lugares novos e antigos?

 

Estefani: Sim, com certeza. Eu viajei para a Paraíba. As pessoas têm uma visão de que lá é seca pura, mas não é só isso. É um lugar maravilhoso! As pessoas são incríveis, a gente aprendeu muita coisa e passou a ter uma visão totalmente diferente.

 

Thainar: A base que o curso deu nos incentivou a aprender a ter uma mente aberta para o desconhecido, para poder viver essa experiência de uma forma mais enriquecedora. Eu tinha uma ideia de Brasília como uma cidade chata, onde tudo sistemático e regrado. Quando eu cheguei lá era totalmente diferente: os jovens são engajados, politizados e adoram a cidade. Não era monótono; era vivo. Brasília é encantadora!

 

Valeska: Para escrever os contos, as poesias que fariam parte do livro, a gente precisava ter esses detalhes, observar as pessoas, o ambiente, o clima e buscar personagens para caracterizar bem aquele lugar. Quando viajei para o Amazonas, eu tinha uma visão diferente, de que a cidade era menos urbana, que teria muito mais natureza.

 

Geração Light: Qual é a sensação de ter o livro “Do Rio ao Mar” como resultado do trabalho de vocês?

 

Valeska: É como se fosse uma contribuição. Sinto que fiz parte de alguma coisa. É poder ver o que aprendeu reunido e reconhecido pelos amigos e familiares.

 

Thainar: Saber que a sua história agora está gravada. As pessoas vão poder vivenciar um pouco do que você vivenciou. Quando a pessoa ler, ela vai sentir um pouco daquilo que você sentiu. É um jeito de preservar a nossa memória.

 

Estefani: Quando viajamos, foram muitas sensações e emoções, mas quando a experiência passou para o livro, se tornou concreta. Um objeto que você vai poder carregar quando quiser lembrar.

 

Muito legal, né? As alunas continuam trocando experiências sobre o projeto. Na última quarta, na Bienal do Livro do Rio, elas participaram da “Troca de experiências em Leitura”, no Auditório Lapa, do Pavilhão Verde, onde conversaram com educadores e professores dos espaços de cultura da cidade.

 

Aproveite para conhecer mais sobre a iniciativa. O livro do “Rio Ao Mar” está disponível na web. Para acessar, clique aqui: http://issuu.com/turistaaprendiz/docs/livro_web_baixa