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Bate-papo: Marcelo Lamarca fala sobre o concurso Grafite Seu Esporte!

17/08/2015

 

Cor ... é isso que vem na cabeça quando nos deparamos com os grafites exibidos no último Caju de Braços Abertos, projeto que acontece nas principais favelas do Rio de Janeiro. A oficina “Grafite o Seu Esporte” oferecida a moradores por Marcelo Lamarca, especialista em grafite e designer pela ESPM, encheu os olhos de quem passava na região e trouxe vida para os muros da cidade.

 

Lamarca tem um traço marcante e já expôs o seu trabalho em exposições no Rio de Janeiro, Nova York e Suíça. Hoje, ele bate um papo com o Geração Light e fala mais sobre a sua profissão e o projeto De Braços Abertos.

 

GL - Quando você começou a grafitar? Como se deu o seu primeiro contato e o que te motivou a continuar como um artista do grafite?   

 

Lamarca - Eu comecei a experimentar o spray em 2002. A minha motivação foi deixar a minha marca nas ruas do RJ.

 

GL - Existem algum outro artista que você considera ter sido uma influência na sua vida e/ou nas suas obras?

  

Lamarca - Sim. As minhas influências são o mestre Maurício Porto que me ensinou desenho e Álvaro Querzolipor me mostrar o caminho da pintura.

 

GL - Antes, o grafite estava bastante associado às intervenções nas ruas e em espaços públicos. Algumas das suas obras, por exemplo, chegaram a espaços importantes como a "Galeria Laurent Marthaler", na Suíça. Como você encara isso?   

 

Lamarca - O Grafite ainda é associado com a rua e sempre vai ser. Fui aprimorando o trabalho, misturando as técnicas, crescendo como artista e assim os sonhos foram se tornando realidade. Fiquei 20 dias na Suíça produzindo intensamente em um ateliê local.

 

 

GL - Algumas pessoas entendem a pichação como algo negativo e outras como uma forma de expressão legítima. Como você enxerga a relação entre pichação e grafite? Acredita que há semelhanças ou acha que são duas coisas distintas?   

 

Lamarca - Eu sempre observei a pichação. Ela é, até hoje, uma das minhas principais referências de caligrafia.  Posso dizer que tenho o traço marcante devido às inúmeras tentativas de fazer um tag.

 

GL - Você coordena a oficina de grafite do "De Braços Abertos". Em geral, as pessoas chegam já com alguma noção ou costumam ser inexperientes?   

 

Lamarca - Sim, eu sou o curador do “Grafite seu Esporte” desde o início do projeto. Em geral, as pessoas já têm alguma noção, mas sempre são os iniciantes que surpreendem com a criatividade mais espontânea no muro.

 

GL - Como você vê a importância do grafite para as novas gerações e como ferramenta de inclusão social? De que forma orientar novos talentos pode ser uma oportunidade para desenvolver esses jovens?

 

Lamarca - O Grafite tem o poder de transformar e serve de plataforma de integração entre jovens e crianças. Além disso, sempre oriento no sentido de frisar a importância da formação escolar.

 

GL - Qual a transformação que você percebe nas pessoas que participam da oficina de grafite do De Braços Abertos? Na sua percepção, o que o projeto trouxe de positivo para a comunidade?

 

Lamarca - A transformação é nítida, tenho alunos que começaram na oficina de grafite e hoje são ilustradores, grafiteiros e tatuadores. A comunidade se diverte com as pinturas e sempre há uma troca entre os artistas e quem passa pela rua.

 

 

Se você quiser saber mais sobre o projeto Grafite Seu Esporte, visite a página da organização no Facebook. A próxima etapa acontece em setembro no Jacarezinho. Confira os ganhadores do último concurso:

 

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