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Agentes de cultura: estreitando relações nas comunidades

16/10/2015

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Há alguns anos, Karoline Santos saiu do Sul​ do país. Aqui no Rio, foi parar no Morro da Providência ajudando a levar dança, música, artesanato com materiais recicláveis e até pernas de pau para a comunidade.

 

Mobilizadora do projeto Formação de Jovens Agentes de Cultura​ - parte do Favela Criativa e executado pelo Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds), ela se uniu aos alunos na intervenção cultural “Alturas Itinerantes”, comemorando o 117º aniversário da favela mais antiga do Brasil.

 

Karol pesquisa a cultura local da Zona Portuária​ e contou um pouco p​ara o Geração como foi fazer parte da inciativa:

 

1) Como você conheceu o projeto de Formação de Jovens Agentes de Cultura?

Conheci através da internet, na página do Facebook do CIEDS e do programa Favela Criativa. Quando vi a vaga para mobilizador, enviei o meu currículo, fui chamada para a etapa de entrevistas e consegui participar do projeto.

 

2) Como foi a sua experiência no projeto? Fale um pouco sobre o trabalho que desenvolveu.

O projeto me auxiliou a formar redes com instituições sociais, com atores locais que eu não tinha contato antes, como a associação de moradores, e com iniciativas ​antes desconhecidas para mim. Eles me ajudaram ao longo do projeto com a mobilização e com a divulgação dos eventos.

Eu percebi uma coisa muito interessante: a diversidade cultural que temos. Por meio das atividades do projeto, eu pude conhecer outras comunidades também e percebi como o cenário cultural da cidade é rico com vertentes do hip-hop, do funk, do samba, além de grafite, artesanato, dança...

 

3) Como você avalia o impacto das atividades que realizou para os jovens participantes?

Acho que o que maior impacto foi o estreitamento da relação entre a comunidade e os jovens mesmo. A nossa 1º intervenção cultural aconteceu no dia 17 de novembro de 2014, no dia do aniversário do Morro da Providência, a primeira favela da América Latina. Ela teve um peso muito grande para os moradores, ​pois há muito tempo não tinham atividades culturais na comunidade, principalmente no local onde fizemos, no Largo do Cruzeiro, localizado bem no alto do morro. 

O​ mais gratificante foi ver as crianças e os jovens que participaram das nossas atividades (oficina de perna de pau, pintura artística, oficina de break/hip-hop, oficina de reciclagem...) nos perguntarem depois, quando passávamos nas ruas, quando ​seria a próxima intervenção. Esse reconhecimento foi muito importante.

 

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4) Para você, qual é a importância da realização desse tipo de atividade nas comunidades?

Acredito que valorizar as potencialidades culturais das favelas, mostrar como a favela é um berço cultural da cidade. Através do projeto, esses jovens conseguiram uma formação mais "formal", mas muitos deles já trabalhavam como produtores culturais. Essa iniciativa deu maior visibilidade para eles. A interação entre a comunidade e os alunos também foi uma relação importante que o projeto visava fortalecer, de modo a interferir no cotidiano dos moradores através da cultura. 

 

5) Que mensagem você gostaria de deixar para os futuros agentes de cultura?

Espero que continuem buscando mais conhecimento para o seu aperfeiçoamento profissional e que o Projeto Formação de Jovens Agentes de Cultura seja o pontapé inicial para a carreira que eles sonham.